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My J-Hero Academia

Fanfic: Quem pode ser enganado?

:: 9 minutos de leitura

Até mesmo Yona, a gentil e carismática princesa sem castelo, tem seus limites. E Soowon ultrapassou todos eles em apenas uma manhã.

MellAutor(a)

Olá, pessoal! Aqui é a Mell, e esta é a primeira fanfic que posto aqui! É de Akatsuki no Yona, mas fiz o possível para que mesmo quem nunca leu a obra ou viu o anime consiga compreender a estória. Enfim, boa leitura!


Akatsuki no YonaQuem pode ser enganado? – Capítulo Único

— Jae-Ha… — o balde que Yona outrora segurara com tanto zelo foi ao chão, levando junto dele a água que a princesa usaria para cozinhar o almoço daquele dia.

Nada nem ninguém no mundo teria sido capaz de prepará-la para ver seu amigo gravemente ferido, mancando em sua direção, com sangue transbordando de seu peito e sua perna esquerda. Em choque, ela não conseguiu perguntar o que aconteceu. Tudo o que foi capaz fazer foi segurar o corpo do homem com sangue do dragão verde quando o mesmo sentiu suas forças se esvaírem e sua visão escurecer.

— O que… Não…

A ruiva não sabia como manejar aquela situação. Seu amigo perdeu tanto sangue que desmaiou e nenhum dos outros dragões veio ajudá-lo, o que levava Yona a pensar que eles também deveriam estar igualmente feridos ou até pior.

— Y-Yona… — Alguns segundos de consciência permitiram que Jae-ha soubesse a quem pertencia aquele pequeno e trêmulo corpo que lhe segurara antes que caísse.

Tampando sua boca, Yona impediu que ele continuasse a falar.

— Não se esforce para me dizer o que aconteceu, eu mesma vou lá ver. Por favor, descanse aqui até que eu ou um dos outros volte, não faça nenhuma besteira — Tirando o casaco pesado que a protegia do frio, a princesa deitou a cabeça do dragão verde sob ele e se levantou, lutando para não chorar ao ver suas mãos cobertas de sangue.

Enquanto corria até o acampamento deles, Yona se perguntou como aquilo aconteceu. Antes de sair para buscar água e peixes, todos — menos Hak — dormiam tranquilamente. E ele apenas ficou ali por insistência dela, já que não pretendia ir muito longe, nem demorar mais do que o necessário.

Um misto de culpa e impotência rasgou seu peito.

Ela deveria ter esperado todos acordarem antes de sair. Mas a princesa sabia que mesmo que estivesse lá quando uma provável luta aconteceu isso não mudaria muita coisa, pois ela não era tão forte quanto seus amigos e eles se preocupariam mais em protegê-la, do que lutarem contra o inimigo.

— Zeno… — Encontrar o dragão amarelo ileso não era novidade para ela, afinal ele tinha habilidades regenerativas invejáveis, mas suas roupas estavam rasgadas e cobertas de sangue, denunciando os locais onde fora atingido.

— Nos atacaram de longe, com flechas envenenadas e pegando fogo. Jae-Ha foi o único que conseguiu ficar de pé e correr até você…

— Me diga, quem fez isso com vocês?! — era para ser uma pergunta, mas o desespero a fez praticamente gritar, soando como uma ordem.

— Soowon e seus soldados. Usaram o vento para ocultar seu cheiro, mas sei que foram eles.

— Eles apenas atacaram de longe?

— Creio que sua intenção era nos executar. E teriam conseguido, se Hak não tivesse tido a ideia de simular a própria morte e nos incentivado a fazer o mesmo, talvez não estivessem vivos agora.

— Yoon… — Subitamente, o rosto daquele garoto determinado e prestativo veio a sua mente.

— Ele é o único que saiu ileso. Deve estar cuidando dos outros agora mesmo. Eu vou atrás de Jae-ha e você… — a pausa longa do loiro fez o coração de Yona doer — Deveria dar mais atenção ao Hak. Nós temos o sangue de dragão para acelerar a nossa cura e ele ainda é apenas um humano, mesmo tendo uma força que seja atípica de um.

Sem sequer respondê-lo, a princesa voltou a correr, sentindo as lágrimas escorrerem de forma descontrolada por seu rosto.

Chegando ao acampamento, o cheiro forte de fumaça fez suas narinas arderem, mas não havia mais fogo ali. O dragão amarelo deveria ter apagado antes de ir atrás dela e de Jae-ha.

— Yoon! — o garoto se assustou e se virou, vendo Yona se atirar em cima dele sem hesitar — Você está bem! — a sombra de um alívio a atingiu.

— Yona, é tão bom ver que não te machucaram… Estou aliviado — Os braços esguios dele apertaram o corpo dela, enquanto tentava se convencer de que ela não estava ferida — Shin-ah e Kija estão bem, adormeceram assim que tratei de suas feridas e os livrei do veneno, mas Hak… Embora não tenha se queimado feio como Zeno quase teve sua perna e mão esquerdas comprometidas. Fiz o que pude para aliviar a dor e até lhe dei um chá para dormir, porém ele se recusou a fechar os olhos enquanto não te visse.

Engolindo em seco, Yona se desvencilhou do abraço e ao avistar os corpos de Kija e Shin-ah deitados lado a lado, se abaixou e beijou a testa dos dois dragões antes de ir vagando sem um rumo definido pelo pequeno acampamento destruído.

Não teve muitas dificuldades para encontrar Hak, que estava deitado num local um pouco mais afastado dos outros. Yoon não conseguiria arrastá-lo dali sozinho, então onde seu amigo caiu, foi onde ficou até aquele momento.

— Hak! — se ajoelhou ao seu lado, segurando o rosto dele com as duas mãos — Consegue falar? Está me ouvindo?

— Sim… — a voz saiu um pouco rouca, demonstrando a dificuldade dele para se pronunciar.

— Logo os outros virão te tirar daqui… — mais lágrimas começaram a cair, fazendo o coração de Hak doer ao ver a ruiva tão triste e desesperada.

— Me desculpe, se eu fosse mais forte teria conseguido salvá-los… Vocês sempre me ajudam, me apoiam e socorrem, mas nunca consigo fazer nada por vocês… — engolindo em seco, Yona respirou fundo, começando a deixar suas emoções pejorativas de lado.

O guerreiro estava pronto para se sentar (mesmo que isso fosse piorar seu estado) e consolar a amiga de infância, quando viu seus soluços e seu choro pararem abruptamente e seu olhar mudar.

Ele já tinha visto a princesa sucumbir várias vezes ao desespero, ao medo ou a culpa por não ser tão habilidosa quanto ele, ou os dragões, ou até mesmo como Yoon era com as ervas medicinais. Mesmo depois de ter treinado com eles, conseguido se defender sozinha em muitas situações, isso não a fez se sentir em pé de igualdade com eles, então sempre que sua confiança se esvaia, Hak fazia questão de apontar as inúmeras qualidades da princesa e a abraçava até que ela deixasse de chorar e se desmerecer.

Porém, daquela vez ela não precisou de Hak para se reerguer.

Seu olhar não estava focado em algo em específico, mas o fogo familiar dentro dele mostrava seu ódio transbordando, queimando no fundo de suas pupilas.

— Princesa…

Ela mal o ouviu chamando-a.

Sua mente estava cheia de Soowon e das inúmeras dificuldades que ele a fez passar, desde que assassinou seu pai, o até então rei de Kōka, e a fez fugir de seu próprio lar. Por causa dele, ela e Hak passaram fome, sede, várias vezes foram vítimas de cobras e outros animais igualmente peçonhentos e que quase levaram eles a morte. E mesmo depois de encontrar os quatro dragões e andar acompanhada deles, o Soowon, agora coroado como o mais novo monarca, não deixou de persegui-los, assombrando seus pesadelos.

E mesmo que ela e seus amigos nunca tenham feito nada para ameaçar o reinado de Soowon, ele teve a audácia de tentar executá-los em uma luta nada justa, sem qualquer razão para tal.

Pelo bem de seus amigos, de Kouka, Yona procurou durante todo esse tempo não guardar rancor de Soowon, pois muitos não estavam satisfeitos tendo seu falecido pai como rei e ao que parecia Soowon estava administrando o reino de uma forma muito mais eficiente.

E ela pretendia seguir sua vida sem se meter no caminho dele, se o seu primo não tivesse ido atrás das pessoas mais importantes da vida dela e as ferido.

Com os punhos cerrados, Yona se levantou de supetão, assustando Hak.

— O que foi, princesa? — questionou, estranhando a postura da ruiva, que parecia qualquer pessoa, menos a garota sorridente e carismática que ele conheceu e se apaixonou.

— Se ele acha que pode fazer isso com vocês e sair ileso… Ele está enganado.

Percebendo que ela se afastaria, o guerreiro se sentou de forma brusca, sentindo uma dor alucinante espalhar-se por seu corpo.

— Yona, o que você vai fazer?

A princesa sabia que o fato dele a ter chamado pelo nome mostrava o quanto estava preocupado, porém nem isso a fez mudar ideia.

— Algo que já devia ter feito antes — caçou um arco e uma flecha ao redor deles, sabendo que um dos dragões ou o próprio Hak teria usado eles para revidar e o guerreiro a seguiu com os olhos, cético.

Yona seria mesmo capaz de se vingar? Quem exatamente ela estava pensando em atingir com aquela flecha?

— Tem certeza que precisa de apenas uma flecha? — tentou tirar alguma reação dela, provocando-a. Sabia o quanto ela ficava emburrada quando ele subestimava (de propósito) suas habilidades. Mas nada saiu de seu olhar quando olhos dela encontraram os seus.

— Sim.

Dando as costas para ele, ela correu. Com base na posição das flechas do inimigo dispostas por todo acampamento, ela teve uma vaga noção da antiga localização deles e a usou como base para se orientar pela floresta.

Os gritos de Hak a chamando e implorando para que não fosse atrás de Soowon sozinha foram ficando cada vez mais distantes e em algum momento, se tornaram inaudíveis para a ruiva.

Correndo o mais rápido que podia, ela demorou mais tempo do que esperava, mas encontrou Soowon. E junto dele, o exército de arqueiros que tentaram matar seus amigos. Também viu a escolta pessoal dele o cercando e seu fiel e querido conselheiro ao seu lado. Todos estavam devidamente armados e protegidos.

Só que Yona conhecia todos os pontos fracos daquelas armaduras e maioria dos soldados, incluindo o rei e seu conselheiro, sequer usava um elmo.

Tamanha era ingenuidade deles ao acharem que Yona se preocuparia mais em chorar pelos amigos, do que perseguir eles e devolver o “favor”.

Encontrando uma posição confortável, Yona pensou nas consequências do ataque que faria.

Pensou no futuro de Kōka sem um rei, no que significava matar Soowon ali.

E pensou em tudo o que sacrificou para não deixar sua vida pessoal abalar um reino inteiro, por causa de uma vingança que não dizia respeito aos seus súditos.

As mãos firmes e calejadas já tinham esticado a corda e mirado a flecha, que sequer tremia.

Posso tentar enganar várias pessoas, mas não a mim mesma… pensou, respirando fundo. Mais do que me vingando, estou tomando de volta aquilo que é meu.

A adrenalina de imaginar que o trono que era seu por direito não a distraiu quando ela disparou aquela flecha e não acertou ninguém menos que Kye-sook, o braço direito e conselheiro de Soowon.

O reino de Kōka voltará a ser seu e será através de uma luta justa, onde Soowon terá a oportunidade de se defender e de saborear a derrota inesquecível que ela lhe dará.

😒

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