Crédito: Reprodução/Yazawa Ai/Shūeisha/Madhouse

Entre amores, sonhos e desilusões: o impacto emocional de Nana

Como Nana transformou o drama romântico em um retrato cru da juventude.

Chibi · 13 de fevereiro de 2026 às 18:33
2 minutos de leitura

Lançado em 2006 e baseado no mangá de Yazawa Ai, Nana é muito mais do que uma história sobre romance, tornando-se uma referência ao retratar com sensibilidade e realismo os dilemas da vida adulta, os sonhos artísticos e as complexidades das relações humanas.

Ambientado na vibrante Tóquio, o anime acompanha duas jovens completamente diferentes que, por acaso do destino, passam a dividir o mesmo apartamento — e, eventualmente, suas dores e ambições.

Duas Nanas, dois mundos

A história começa quando Komatsu Nana e Ōsaki Nana se conhecem em um trem rumo a Tóquio. Komatsu — apelidada de Hachi — é sonhadora, romântica e acredita fielmente no amor como solução para tudo. Já Ōsaki é determinada, independente e vocalista de uma banda punk em ascensão.

Apesar das diferenças gritantes, a amizade entre as duas se constrói de forma intensa e sincera, tornando-se o verdadeiro coração da narrativa e tendo essa dualidade como um dos grandes trunfos da obra: enquanto Hachi representa a vulnerabilidade emocional e a busca por segurança afetiva, Osaki simboliza a força, o orgulho e o desejo de independência. Ainda assim, ambas enfrentam inseguranças profundas.

Amor, música e realidade

A música desempenha papel central na trama, especialmente através da banda de Ōsaki, a fictícia Black Stones (ou apenas Blast), responsável por nos apresentar canções com forte influência do punk e do rock alternativo que reforçam o tom melancólico e apaixonado da obra.

Mas Nana não romantiza excessivamente seus conflitos. Pelo contrário: aborda traições, dependência emocional, ambição, gravidez inesperada e os altos custos de perseguir sonhos, além de nos apresentar relações imperfeitas, em que o amor nem sempre é suficiente para sustentar uma história feliz.

Um retrato real da juventude

Diferente de muitos animes shōjo idealizados, Nana aposta em um realismo quase doloroso, com uma narrativa que não oferece respostas fáceis, e personagens que erram — e muito —, tornando assim a obra profundamente humana. Ao longo da narrativa, vemos amizades sendo testadas, romances desmoronando e sonhos colidindo com a realidade, e é essa honestidade emocional que faz a obra permanecer relevante até hoje e conversar com quem já amou demais, confiou demais ou precisou amadurecer à força.

O legado de Nana

Mesmo com a pausa indefinida do mangá, Nana consolidou-se como uma das obras mais impactantes do gênero shōjo/josei. Sua estética marcante, personagens complexos e abordagem madura abriram espaço para histórias femininas mais realistas e emocionalmente intensas.

Mais do que um romance, Nana é sobre escolhas — e sobre como elas moldam quem nos tornamos. É um lembrete de que crescer pode ser bonito, mas também pode doer.

E talvez seja justamente por isso que a história das duas Nanas continue ecoando no coração de tantos fãs.

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Sobre Chibi

Sou uma pessoa leve, divertida, que adora uma história interessante e coleciona mangás desde novinha.