Olá, ouvintes que aqui estão lendo! Na matéria de hoje eu vou tentar quebrar a rotina um pouco e escrever em um formato diferente, OK? Sem listinhas, só um artigo de opinião. Leia se quiser, e não se influencie por esse texto. É como dizem, opinião não se discute, a não ser que você esteja na internet.

Há pouco tempo atrás, um certo jogo começou a chamar atenção mundo afora. Esse jogo criou muita popularidade com o passar do tempo, não pela sua proposta em si, mas pelo tema que ele abordava.

Esse jogo se chama Hatred. Hatred é um shooter isométrico, que tem como objetivo matar qualquer coisa viva que apareça na sua frente. Só isso, nada mais.

O tal game ganhou uma popularidade imensa apenas pelo seu tema de violência extrema e matança desenfreada. Ele nunca prometeu mais do que isso, mas ainda conseguiu criar um hype imenso, apenas por ser violento. Ele conseguiu trazer aos holofotes uma empresa qualquer, da qual ninguém sequer ouviu falar em algum momento da vida. Ela teve seus momentos de glória com algo tão fútil, mas polemizado como se fosse um tabu.

O jogo saiu recentemente, e alguns sites especializados criticaram bastante o jogo como um todo, não apenas o fator violência. Eu, pessoalmente, não posso dizer mais do que eu lí sobre ele, ou do que eu vi o Zangado falando, simplesmente porque eu não o joguei, mas, pelo que eu vi dele desde o início, eu não tenho a mínima vontade de jogá-lo.

Antes que você me critique por ser um "hipócrita políticamente correto" (que é como rotulam na internet quem não gostou da proposta desse "jogo"), eu vou falar um pouco sobre mim. Eu nasci nos anos 90 e, quando eu era moleque, tinha um Mega Drive e um SNES na minha casa. Para o Mega Drive tinha Mortal Kombat, e eu sempre tive interesse em ver a sanguinolência do game, mas não me deixavam jogar, porque eu era muito novo.

Eu nunca tive a oportunidade de jogar nesses consoles, porque eles sumiram quando eu finalmente tive idade o suficiente para usá-los. Eu cresci mais um pouco, e meu irmão ganhou um Playstation 2 de presente. Um amigo meu me emprestou Mortal Kombat: Armaggedon, um jogo bem mediano para um jogo de luta, mas tinha a violência registrada de MK. Aquela violência já chegou a encher os meus olhos, mas não a ponto de achar aquilo o máximo. Já vi vários jogos violentos depois disso e, até agora eu nunca achei algo horrível ou impressionante disso tudo.

Uma vez, eu ouvi falar da série Postal (pelo Zangado), e decidi experimentar Postal 2. Eu gostei do jogo, porque matar as pessoas era de certa forma divertido, e havia algo a mais para se fazer além de matar.

"Postal pode ter sido a principal inspiração para o jogo, pois o estilo, o tema e a polêmica são bem parecidos"

Normalmente, em jogos, matar tem um significado, por mais que ele seja psicopata e insano. Quase nunca é o objetivo pricipal, e sim um meio de alcançá-lo. Não estou dizendo que um jogo cujo o objetivo é apenas matar é algo errado, estou dizendo que a forma como isso é executado é crucial. Hatred não parece executar isso direito.

O jogo queria fazer você pensar: "Até onde a violência pode chegar nos jogos?", mas tudo o que ele consegue te fazer pensar é: "O que diabos eu estou fazendo?". Só em ver cenas de gameplay eu me senti enjoado daquela porcaria toda, não por nojinho, mas pela falta de profundidade e originalidade do jogo em si, que parece uma cópia descarada do primeiro Postal.

A discussão é velha, mas é a mesma sempre: esse jogo é violento demais, então ele deve ser banido com todas as forças. Isso é papo de moralista, sinceramente. Não existe esse papo de "jogo impróprio para consumo", só existe o público alvo aconselhado para tal. É escolha sua consumi-lo corretamente ou não.

As controvérsias da classificação indicativa

Você sabe  para que serve a classificação indicativa nesses produtos? Claro que sabe, mas você respeita elas?

Eu realmente, não acho que elas precisem ser seguidas à risca, pois isso depende da responsabilidade dos pais e da mentalidade da pessoa que irá consumir.

O ESRB, que é a classificação indicativa nos E.U.A, fou criada praticamente por causa de Mortal Kombat, devido a sua violência realista e inesperada para a época, precisaram criar restrições para ele! Eu acho isso completamente certo!

"Mortal Kombat foi extremamente popular na época de seu lançamento por sua violência gráfica extremamente realista para a época"

Se você acha que jogos não podem influenciar a mente de uma pessoa, reveja seus conceitos e pare de generalizar. Existem casos muitos específicos, e eles devem ser pensados. Se você dá um jogo como GTA para um moleque de 8 anos, ele vai ser influenciado por aquilo de alguma forma. Ele vai achar que aquilo é divertido e natural, e as chances são altas dele reproduzir aquilo na vida real. eu sigo exemplos por experiências próprias, pois eu já vi muito moleque que se acha o máximo por reproduzir o perfil de "criminoso". Eles podem se tornar adultos nojentos no futuro.

A influência pode piorar se a pessoa tiver um problema mental gerado por pressão psicológica. Os jogos podem gerar inspiração, mas a pessoa não vai ser completamente hipnotizada pelo jogo. Se a pessoa tiver um problema, ela vai sim ser influenciada, mas só se tiver alguma tendência para isso. É responsabelidade dos pais fiscalizar os filhos. Se você não fiscaliza o que seu filho faz, quem é você para falar de alguma coisa?

Voltando para Hatred…

"Segundo o Kotaku, Hatred apostou mais no marketing do que em si próprio. Se os desenvolvedores soubessem fazer um jogo como sabem divulgá-lo…"

Sim, eu estou falando bastante sobre esse jogo, pois foi ele que me deu a ideia de escrever esse texto. No seu lançamento, ele se tornou o jogo mais vendido da Steam, mas eu ví várias pessoas pedindo ou querendo reembolso. 

Visitando a página do jogo na loja, pude ver vários comentários positivos, mas alguns deles não eram sérios. Não estou dizendo que essas pessoas são burras, porque gosto é variável, afinal, esse é o público alvo do jogo: pessoas que acham interessante matar em jogos por matar. Eu não acho isso muito atrativo, mas talvez eu baixe esse jogo um dia, por curiosidade.

Se a Destructive Creations, a desenvolvedora do jogo, queria seus 15 minutos de fama com esse jogo, ela conseguiu. Ela apareceu do nada, com um jogo deprimeite, e chamou a atenção do público. Mas esse jogo vai ser esquecido rápido.

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Concluindo a matéria, a violência em jogos é interessante, e não deveria ser tratada com tanta polêmica atualmente. Porém, não acho que seja muito coerente montar um jogo inteiro apenas por cima disso. Não adianta comparar Hatred com GTA, pois GTA é muito mais complexo e divertido que essa coisa, o que se torna mais hipócrita do que criticar o jogo. 

As pessoas tem o direito de consumir o que quiser, pois a pessoa tem o pleno direito de decidir com o que gastar seu tempo e dinheiro. Eu não acho que valha a pena gastar com ele, mas não critico quem acha.

O jogo não se torna automaticamente ruim por ser violento, ele se torna ruim se todo o resto for ruim. Se você acha que o jogo é bom, pense bastanto no porquê de você achar isso. Se não tiver um motivo concreto, você pode estar sendo manipulado.

Se você quer saber o limite da violência nos jogos, eu lhes digo: não existe limite para nada em obras de ficção. Tudo que você conseguir imaginar, é permitido para você fazer. Entretanto, se você quer agradar alguém com isso, execute de uma forma agradável.

O que você, leitor, acha desse tema? Acha legal ou acha que a violência nos jogos deve acabar?