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Na Lupa do Lunei

ALBUM REVIEW | Mamamoo – Melting (2016)

:: 5 minutos de leitura

As meninas do Mamamoo finalmente lançaram o seu primeiro álbum completo, o "Melting". Será que elas conseguiram transportar toda a aura old school para ele? Confiram.

LuneiAutor(a)

O Mamamoo é um caso extremamente curioso e engraçado do K-Pop, principalmente entre os fãs aqui do Brasil. Essas quatro são uma aposta bem grande de sua gravadora, a WA Entertainment, que, mesmo antes de seu debut, as colocou para cantar com uma porrada de artistas de lá. Então, ao estrearem em 2014, as gatas já estavam no imaginário sul-coreano.

É nítido o quanto o quarteto é bem apadrinhado, o que pode ser comprovado no MV da maravilhosa Mr. Ambiguous. Assistam o vídeo abaixo e contem a quantidade de famosos que aparecem…

É claro que isso não significaria absolutamente nada pra mim caso o som delas fosse uma porcaria. Entretanto, definitivamente, não é. Ao misturarem Soul, Jazz, R&B e outras fórmulas da black music com o apelo Pop necessário, além de terem uma impagável e quase inimaginável proeza ao formarem um grupo onde todas as integrantes, de fato, cantam acima da média, Solar, Moonbyul, Wheein e Hwasa conquistaram a minha atenção em todos os seus lançamentos.

De maneira bem engraçada, é possível notar que, aqui no Brasil, ou a galera concorda comigo, afirmando que elas são uma das bandas mais interessantes que saíram na Coréia do Sul nos últimos anos, ou discordam drasticamente, afirmando que toda sua fama é apenas pelos feats., ou que são uma imitação de outros grupos de vocais fortes, como Spica e Brown Eyed Girls e tais outras justificativas. 

Ao que parece, o público coreano vem na mesma linha de pensamento que eu, visto o Melting, primeiro álbum completo delas, ter ocupado as posições mais altas quando lançado por lá…

Surpreendendo a todos, o LP abre com o pré-release Pride Of 1 cm, um Hip Hop de base old school que tira sarro dos conceitos badass adotados por outros grupos coreanos, colocado aqui versos sobre o quanto uma é superior à outra por conta da diferença de 1 centímetro de altura. A paródia se torna ainda mais deliciosa com a imitação da LE, do EXID, no final do MV…

O álbum segue em alto nível com um Pop/Jazz que permeia a nossa Bossa Nova de maneira espetacular. Words Don’t Come Easy segue numa melodia levada principalmente pelo violão junto ao saxofone, cuja letra narra o quanto o cara lá tem o poder de dizer as palavras certas para que elas se derretam em tesão. A dobradinha com a Bossa Nova se repete mais pra frente, na deliciosa My Hometown. Sério, ouvir isso andando no calçadão de Copacabana deve ser uma experiência e tanto.

O Mamamoo é um grupo que ficou caracterizado pela sonoridade mais rebuscada e isso é algo notável, mas qual foi a minha surpresa ao ver que elas conseguem, além de tudo, soltar uma faixa com apelo Pop e comercial tão grande como You’re The Best e, ainda assim, soarem tão refinadas. Isso ficaria bastante básico na voz de uns outros grupos, mas a interpretação vocal delas faz toda a diferença aqui, deixando tudo com uma cara Motown acolhedora…

Voltando às cordas, temos uma coffe & cigarrettes song bastante elegante, Friday Night, que é um feat. com o JunggiGo – o mesmo da viral Some, com a SoYou, do Sistar. Sinceramente, acho que ficaria mais legal apenas com elas cantando, mas não é uma faixa de se jogar fora.

Emotion é o mergulho do álbum no R&B/Urban que a Mariah Carey fazia nos anos 90 e, assim como os lançamentos da Mimi antigamente e, vá lá, da Ariana Grande atualmente, funciona de maneira eficaz por conta da malemolência vocal das integrantes. O refrão é ótimo, o rap sobre a confusão de emoções que o amor está causando na personalidade delas está acima da média. Uma pena não ter ganhado um videoclipe com elas rebolando no cenário de Todo Mundo Odeia o Chris enquanto um hidrante explode, soltando água em todos que estavam pulando corda no meio da rua.

E se estamos falando de anos 90, I Miss You entrega as baladas R&B de antigamente na bandeja. Dá até para imaginar isso aqui tocando na rádio sábado à noite enquanto gravamos em fita cassete…

Após acalmar as coisas por um tempo, é hora de mexer o rabo na pista de dança. Funky Boy mistura sintetizadores eletrônicos com um instrumental big band todo funkeado.

E se achávamos que o álbum não atingiria mais nenhum ápice, o Mamamoo vem e nos dá mais dois socos no estômago. O primeiro é My Recipe, um Jazz que remete à New Orleans com versos que soam como Rap sobre o que elas comerão no jantar daquela noite. O segundo é Cat Fight, outra faixa Pop/Jazz maravilhosa que nos transporta aos anos 20, com diversas variações rítmicas e toda a atmosfera necessária para esse tipo de produção.

Uma pena que logo depois venha a balada corta clima Just, o troço mais cafona e desnecessário de todo o LP. Se quiserem, pulem logo para a última faixa, Girl Crush, outro Jazz gostosíssimo, aqui com uma pegada um pouco mais roqueira, que elas já haviam lançado ano passado como OST de um dorama e que havia ganho esse MV divertido gravado em vertical. É o final perfeito para o álbum…

Ao final, a impressão que fica é que o Mamamoo, finalmente, conseguiu se consolidar. De maneira sonora e estética, temos uma visão bem clara do conceito que elas querem passar e, pela qualidade do álbum, sabemos agora que elas fazem isso muito bem.

Parece que o K-Pop não irá morrer tão cedo mesmo…

😒

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