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Janken

Ori and the Blind Forest e Maternidade

:: 4 minutos de leitura

Como um metroidvania com uma narrativa minimalista representa duas dinâmicas sobre “o que é ser Mãe?”

DarvogAutor(a)

Ori and the Blind Forest já é um título bem familiar para os jogadores de PC e Xbox. Lançado em 2015 pela Moon Studios, o título atingiu pleno sucesso rapidamente. O jogo estabelece mecânicas próprias e inovadoras ao gênero dos metroidvanias e apresenta tanto arte visual quanto trilha sonora extremamente imersivas.

O projeto da Moon Studios foi desenvolvido com profissionais do mundo inteiro, gerando, como o próprio estúdio infere, uma experiência global. Assim como em Ōkami, a dublagem das sequências mais narrativas do jogo é murmurada numa língua inventada, expressando sua universalidade narrativa, ou seja, uma história apelativa e emocionante para todas as pessoas, independente do seu local de origem.

Provavelmente essa busca pela universalidade resultou numa das melhores representações de figuras maternas num videogame! Hoje o nosso foco é um pouco mais na narrativa do que de costume e tem spoilers sobre o jogo, então, se você não jogou, não perca tempo porque esse jogo merece!

O começo de tudo

Em uma grande floresta existia uma Árvore dos Espíritos — chamada Nibel —, que emitia uma intensa luz: a essência dos Espiritos Guardiões. Em certo dia, uma Grande Tempestade acontece, e em meio a rajadas de vento, Ori, um pequeno espírito guardião recém-nascido, é arrancado da árvore e arremessado na floresta.

O pequeno ser é encontrado por Naru, que o adota e cria como seu próprio filho. O relacionamento dos dois é genuíno, e Ori cresce feliz, aquecido pelo carinho materno que Naru lhe oferece. Nesse ambiente familiar, Ori aprende sobre piedade e empatia.

Ocorre que, enquanto o protagonista crescia ao lado de sua mãe adotiva, a Árvore Nibel tentava encontrá-lo e lançou uma intensa luz sobre a floresta, numa tentativa de trazer o pequeno espírito de volta. Essa luz, entretanto, provocou a fúria de Kuro, uma imensa coruja. Kuro, em resposta, arranca o núcleo da árvore, e, assim, a floresta perde seu equilíbrio.

Conforme a floresta começa a morrer, a comida se torna escassa. Cada vez Naru tem menos a oferecer ao seu filho. Por fim, ela opta por alimentá-lo e perece de fome, deixando o pequeno Ori sozinho. Ele, então, embarca numa jornada para restabelecer a floresta.

Inimigos no caminho

Nessa jornada, Ori cruza o caminho de duas criaturas recorrentes e essenciais à história: Gumo e Kuro.

Gumo é uma criatura tímida e isolada que habita entre as raízes da floresta. Em determinado momento, ele ataca Ori, desconfiado das intenções da estranha criatura. No fim do combate, Gumo é poupado por Ori. Além disso, o protagonista se preocupa com os ferimentos do seu agressor e o liberta, mostrando o carinho e preocupação tão típicos de sua mãe Naru.

O outro inimigo recorrente é Kuro, a gigante coruja que trouxe o desequilíbrio à floresta. Ela implacavelmente persegue Ori, a fim de evitar que ele reestabeleça a Árvore Nibel. Seu empenho em manter a Árvore inativa tem como motivo a preservação de seus filhotes. Isso porque é revelado que Kuro só atacou Nibel porque a intensa luz acabou por matar os seus filhotes recém nascidos.

Duas maternidades, uma conclusão

Toda a mágica aventura através da Floresta Cega (que figura no nome do jogo) tem seu ápice no embate entre Ori e Kuro.

Ori só pode estar ali e só pode trazer de volta a vida à Floresta através do autossacrifício de Naru. E toda essa tensão, por outro lado, foi motivada pela retaliação de Kuro contra a Árvore Nibel, numa tentativa de vingar e proteger seus filhotes.

O que você tem no final não é uma luta do bem contra o mal, você tem uma luta entre duas formas de proteger seus filhos. Duas formas diametralmente opostas de mostrar o mesmo sentimento.

Sabem, eu não quero dar o maior dos spoilers em vocês, mas realmente acho que vocês devem jogar esse jogo ou rejogar, se fosse o caso. Em todo o meu tempo lidando com videogames, eu não me recordo de um conceito, de um jogo, de um mundo em que o papel das mães fosse uma força motor tão grande numa narrativa quanto em Ori.

E aí, além Ori and the Blind Forest, quais jogos vocês acham que têm mães memoráveis?

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