Olá, jovens gafanhotos! Tuzi está de volta com uma matéria especial para esta semana! Dividido em duas partes, hoje nós vamos conhecer a entidade que protege esta coluna e a escritora que vos escreve (e locuta aos sábados): Yùtù, o coelho mais famoso de toda a Ásia!

Lebre da Lua

O conto do Coelho na Lua é sobre Yùtù, o Coelho de Jade que vive na Lua esmagando ervas em seu pilão para fabricar o elixir da longa vida e que também faz companhia para a deusa lunar Cháng’é.

Poemas chineses — datando de 453 a 221 a.C. — são um dos relatos mais antigos sobre este conto, que se tratava, no caso, de uma lebre. Com a chegada do budismo, obteve-se o conhecimento sobre o Śaśajâtaka, um conto do budismo indiano sobre um coelho que é levado para a lua pelo Śakra. Por conta das semelhanças, ambos os mitos se assimilaram.

Conforme a China teve contato com outros países do leste e sudeste asiático, tal crença também se incorporou com a religião e mitologia local. Culturalmente, é possível ver que a importância do conto se sobressai em países que têm alguma influência budista também.

Coelho de muitos nomes

Na China ele é conhecido como Yùtù (玉兔 – Coelho de Jade) ou Yuè Tù (月兔 – Coelho da Lua). Já no Japão, nós o conhecemos como Tsuki no Usagi (月の兎). Outros países também têm este conto intimamente ligado com ao folclore, entre eles podemos citar a Coreia do Sul, onde o coelho é chamado de Daltokki (달토끼), e Vietnã, com Thỏ mặt trăng.

Apesar de ter uma ou outra variação na forma como o conto do Coelho de Jade é contado, todos partem de um ponto em comum: o Coelho de Jade é um animal que vive na Lua.

  • Na China, Yùtù passa seu tempo acompanhando a deusa lunar Cháng’é (嫦娥) e recolhendo ervas para criar o elixir da longa vida para os deuses e imortais.
  • No Japão, Tsuki no Usagi está moendo arroz em seu pilão, preparando-o para fazer mochi. Nesta versão, o imortal que o acompanha é o Velho Sábio da Lua.
  • Na Coreia do Sul, o Daltokki é o que mais mostra a mistura entre as versões chinesa, budista e japonesa, pois é dito que o Coelho de Jade foi levado para a lua por um imortal e lá ele prepara o mochi para o Chuseok (추석 – chuseog), festival da colheita, também conhecido como festival do outono ou festival da Lua.
  • No Vietnã, Thỏ mặt trăng tem sua origem no conto budista e chinês, pois vive ao lado da senhora da Lua, Cuội. Durante o festival do outono, ambos descem ao mundo mortal e distribuem lanternas de celofane, bolos lunares e presentes para as crianças. Por conta disso, acabaram se tornando uma personificação para o festival de outono (ou festival da Lua) vietnamita.

Festival da Lua

O Coelho da Lua não tem um festival próprio, porém é uma das deidades comemoradas no Festival da Lua. Na Ásia, o festival é realizado na noite do 15º dia do 8º mês do calendário lunissolar chinês, o que, eventualmente, é uma noite de lua cheia. Tal dia corresponde a meados de setembro ao início de outubro do calendário gregoriano.

Acredita-se que nesta noite a lua estará no seu tamanho máximo e mais brilhante, coincidindo com a época da colheita no meio do outono. Na China, essa celebração é chamada de Zhōngqiū Jié (中秋節 – Festival do Outono/Festival da Lua), assim como é o Chuseok na Coreia, Tsukimi no Japão e Tết Trung Thu no Vietnã.

Nestes países, é comum ter imagens do Coelho da Lua estampando mooncakes e diversos outros produtos voltados para a comemoração do Festival da Lua.


E por hoje é só, jovens gafanhotos! Em breve eu retorno com a parte dois dessa matéria!