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Hikari

Contos da Hikari – Edição Especial: O RONIN E A PRINCESA (Parte 03)

:: 8 minutos de leitura

Vamos ao final da jornada ao lado dos heróis Yuusako e Tayuya pelas terras de Izumo. Agora chega o momento da batalha final contra Shigeyoshi a Kyubi no Kitsune!

Saylon KaguyaAutor(a)

(A Batalha final se aproxima!)

 

Chegamos ao final da saga dos nossos heróis Yuusako e Tayuya. Várias perguntas no ar: Será que eles vão vencer o desafio que lhes foi dado? Será queYuusako compreendeu os poderes de Tsubakihime? E Tayuya, como ajudará o Ronin na luta contra Shigeyoshi? E o mais importante, Yussako não vai se declarar para a jovem princesa?

Bom essas perguntas serão respondidas nas linhas abaixo. Mas antes, se você ainda não leu nosso conto "O RONIN E A PRINCESA" acesse agora as partes anteriores dessa narrativa especial da Rádio J-Hero!

Leia primeira parte do conto aqui!

Leia a segunda parte do conto aqui!

Agora vamos à parte final!

 

O Ronin e a Princesa (Parte III)

Yuusako e Tayuya levantaram cedo, fizeram o desjejum de forma silenciosa, e tomando suas coisas seguiram rumo ao palácio real de Hikari. Em nenhum momento eles trocaram palavras, oronin dava passos firmes e cheios de determinação e a garota tratou de imitá-lo, mas não pode evitar em transparecer seu temor.

Quando ela e Yuusako se aproximaram da entrada do palácio real perceberam que não seria fácil chegar até onde Shigeyoshi repousava. Havia guardas para cada metro quadrado do lugar,Kitsunes de todos os tipos: kikos, kukos, koryos, nogitsunes, reikos, shakose até mesmo algumas shousaa setenkos. Yuusako sabia que não seria fácil avançar diante de um exército tão poderoso e grande.

Tayuya devia estar tendo a mesma impressão, pois tremia nitidamente. Escondidos em um ponto cego entre as muralhas do palácio e o bosque que as cercavam, Tayuya e o ronin pensavam em como deveriam agir. O nervosismo da princesa preocupava Yuusako, que não podendo mais vê-la daquele jeito tomou-a em seus braços em um abraço caloroso.

— Acalme-se! — ele sussurrava em seu ouvido — Você cresceu para viver este momento! Não pode fraquejar agora!

Ela por sua vez passou seus braços sobre o corpo musculoso do guerreiro, que a abraçou mais forte, talvez por que também estivesse nervoso, ou porque queria senti-la mais próxima de si.

— Não estou fraquejando, só que… — era difícil dizer — Só que… Você viu a situação do meu povo, Shigeyoshi só trouxe caos e tenho que mudar isso! Entretanto ele é um yokai! O mais poderoso de Yomi! Como eu e você poderemos detê-lo? Não me importo em morrer tentando, mas não quero que você sofra mais por uma causa que realmente não é sua.

— Quando o dragão me escolheu esta causa tornou-se minha, não se preocupe, não vou morrer. Temos aliados poderosos. — Yuusako contou-lhe sobre a visita do Espírito do Vento e sua história. — Agora confie em seu guardião, Kouga, que, assim como a minha espada, ele te emprestar poder. Por hora vamos! Já não há nada a se pensar, Shigeyoshi deve ser derrotado hoje!

Antes de seguirem rumo à batalha Tayuya segurou-o pela manga da camisa e,puxando-o, levou seus lábios aos dele. O ronin recebeu o gesto com intensidade e por alguns instantes ele compartilharam somente daquele momento, um beijo apaixonado.

— Vença por mim! Meu samurai! — ela disse em um gesto majestoso.

— Como desejar, minha senhora.

Eles saíram das sombras do bosque e adentraram os portões do palácio real de Hikari, Tsubakihime reluzia a mais ofuscante luz em seu fio de corte, e derrubava os inimigos sem nem mesmo manchar-se de sangue. Era essa a maestria com a espada que Yuusako aprimorou.

A nodashi balançava faceira de um lado a outro abrindo caminho para eles a caminho do usurpador e ali a sina maldita de ser um ronin pelo resto da vida desfez-se, e Yuusako Morino voltou a ser o que era antes: o samurai mais honrado que já existiu.

 

(Shigeyoshi, a Kyubi no Kitsune)

 

♦  ♦  ♦

Shigeyoshi descansava por sobre dezenas de almofadas e tapeçarias finíssimas, algumas mulheres o serviam. Em sua forma híbrida era um forte homem com presas afiadas na boca, orelhas de raposa, e nove caudas emplumadas ao vento, vestia as roupas do imperador e sobre elas sua joia. Aquela que carregava sua alma, Hoshi no Tama, do seu lado, três receptáculos mágicos se faziam presentes, e a aura dos deuses ali aprisionados reluzia forte.

Um barulho ao longe o incomodava e o que quer estivesse fazendo com que seus guardas causassem tanta confusão deixava-o curioso, mas em seus pensamentos dizia que caso tivesse que levantar para ver o que se sucedia, mataria todos os responsáveis pela desordem no palácio.

Mas nem precisou fazer isso, de súbito a porta de sua recâmara foi escancarada, e a figura de um espadachim misterioso tomou lugar diante dela.

— És Shigeyoshi, a kyubi no kitsune? — perguntou o samurai.

— Sim. — a fera respondeu com desdém.

— Pois em nome de Tayuya Miyazaki, herdeira de Izumo e de todas as Terras do Extremo Oriente, eu, Yuusako Morino, desafiou-o a um combate.

O nome Miyazaki mexeu com os nervos de Shigeyoshi, que deixou seu sorriso de deboche desaparecer ao ver Tayuya por detrás do samurai.

— Vou fazer a única coisa da qual me arrependo de não ter feito eu mesmo anos atrás: Matar você garota maldita!

Shigeyoshi assumiu ali mesmo sua forma de yokai, com suas nove caudas era maior do que dois elefantes e naquela forma, destruiu parte do cômodo onde estavam, em seguida lançou-se contra Tayuya, mas Yuusako defendeu-a com a espada, que disparou uma lufada de vento contra a kitsune.

Era Tsubakihime, o Espírito do Vento, que entrava na luta. Tayuya compreendeu que também deveria lutar e invocou a presença de Kouga. A tatuagem do dragão saiu de seu corpo e assumiu sua forma animalesca ali, ela montou o ser, que arremeteu contra Shigeyoshi. Ela conduzia o dragão muito bem, disparando baforadas de chamas contra o adversário.

Yuusako por sua vez golpeava a fera com a nodashi, que disparava fortes rajadas de vento cortante. A espada nunca esteve tão leve em toda a sua vida de guerreiro, mesmo assim não era o suficiente para derrotar a besta. Shigeyoshi assustou-se com o avanço do inimigo, mas logo dominou a luta.

Kouga sozinho não era capaz de contê-lo, e Tsubakihime ainda não estava em plenos poderes. Foi quando Yuusako, ao perceber a presença de três receptáculos jogados ao chão, teve uma ideia.

— Tsubakihime! Tsubakihime! — ele chamou pela espada — Me diga: Porque mesmo Shigeyoshi selou os deuses? E porque somente um guerreiro honrado pode derrotá-lo?

A espada respondeu:

Shigeyoshi selou meus irmãos porque sabia que eles não concordariam com seus planos absurdos de evitar o destino, se ele não o tivesse feito, nós cinco teríamos derrotado-o quando ele atacou Izumo.

Aquilo chamou a atenção do samurai. Mas faltava a outra resposta.

— E quanto ao guerreiro honrado?

— Eu não sei. — a espada disse de imediato. — Mas talvez…

— Talvez?

— É isso! — ela disse alegre — Hayao Miyazaki deixou uma pista importante. A magia que sela meus irmãos! Deve ser isso: somente um guerreiro honrado pode desfazê-la!

De imediato Yuusako Morino correu até os receptáculos.

Kouga e Tayuya ainda enfrentavam o monstro quando uma explosão desviou a atenção de todos. Três poderosas imagens apareceram diante de Yuusako. Eram Miku, Tampei e Chidori, os irmãos de Tsubakihime e Kouga.

Yuusako Morino. — disseram os três em uníssono — Você foi o guerreiro honrado que nos libertou de nossas prisões. A você concedemos o poder.

Eles repousaram suas mãos sobre a espada de Yuusako, com a qual havia quebrado os selos que os detinham. Kouga também lançou sobre o samurai a essência do seu poder, e Tsubakihime brilhou como um arco-íris cintilante e Shigeyoshi lançou-se furioso contra Yuusako, que com o balançar da lâmina golpeou em cheio a joia da besta, que evaporou diante de seus olhos.

 

(No fim, tudo dá certo quando se trata de um grande amor!)

 

Desde a vitória de Yuusako sobre Shigeyoshi, todas as kitsunes que eram contra os humanos fugiram de Izumo. Entretanto havia alguns que se acostumaram a viver ali, e até família formaram com humanos. Tayuya, ao assumir o trono de Izumo, aceitou-os sobre sua proteção, eles lhe juraram fidelidade e ao poucos a harmonia e a prosperidade do povo de seus pais voltou.

Como predizia a profecia do ancião, ela começou uma forte campanha de união das terras de Izumo e Yomi. Ao seu lado, Yuusako Morino foi o grande general que promoveu guerras contra as tribos yokais que não se submeteram ao regimento do Grande Império de Izumo, como as Terras do Extremo Oriente passaram a ser chamadas.

A imperatriz e o samurai casaram-se e passaram a compartilhar um amor tão forte quanto os de seus parceiros, Tsubakihime e Kouga. A angústia e a tristeza que um dia o samurai vivenciou foram esquecidas, ao lado de sua esposa reinou benevolente como um grande imperador. Os cinco deuses os abençoaram com dádivas milagrosas e restauraram o equilíbrio entre os dois mundos.

Quando o primeiro filho do casal real nasceu, decidiram fazer uma homenagem a única pessoa importante para eles. Pessoa que jamais poderia compartilhar daquela felicidade, uma amiga que acima de tudo foi mãe e irmã e deram o nome da primogênita de Akeno, e assim perpetuaram para sempre todas as lembranças boas que o Japão lhes ofereceu,  e até morrerem — já fartos de dias ­— governaram juntos o Grande Império de Izumo.

 

 

Saylon Kaguya

São Luís do Maranhão, Brasil

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