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Raposa Informa – Saiba mais sobre a Arte da Narrativa!

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Como começa uma história? Começo, meio e fim? E pronto? Conheça o roteiro profissional!

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Como diria Kurt Cobain a letra não importa o que importa é o ritmo, Osamu Tezuka também dizia algo parecido: "O desenho tanto faz, se você consegue transmitir a história para seu leitor." Claro existe muita técnica na arte do desenho, como sombra. luz, anatomia, perspectiva,arte final, mas nada se sobrepõe ao roteiro, a arte da narrativa.


Os japoneses herdaram dos monges budistas que iam para a China estudar, os primeiros livros com duas extruturas básicas da narrativa:
 

Johakyu, estrutura que divide a história em três etapas bem distintas.
Kishotenketsu, estrutura que divide em quatro etapas, mas que abre possibilidades de multiplicar as etapas.
 

Essas estruturas existem há mais de 2 mil anos e muitos escritores talentosos daquela época tentaram fugir dessas duas etapas, mas era quase impossível fugir sem perder a qualidade da história.
 

Elas não eram regras, mas naturais, como o pensamento humano. Johakyu pode ser traduzido como começo, meio e fim. Mas a tradução verdadeira é algo mais profundo. Jo significa oportunidade, Ha significa destruição e Kyu significa apressar. 
 

Então vamos entender, o começo da história é uma oportunidade, onde um ponto inicial se desprende do cotidiano, o meio é a destruição aonde não sabemos para onde a história vai e então temos a resolução. Porém por que o fim se chama apressar? Porque a história é concentrada no começo e no meio para que o final seja só o caminho natural que no geral é menor do que o tamanho do começo e meio.
 

Dizem que não saber o final de uma história que você criou não é coisa de profissional e está certo isso, pois quando um roteirista, seja de mangá, filme, livro ou qualquer meio que narre,  cria uma história, cria o começo, ele como profissional pensou no começo (Jo) e no (Kyu) final, só adicionando coisas no meio (Ha).
 

Shakespeare mesmo morrendo sem nunca ter visto essas palavras chinenas também usava o Johakyu e nas frases criadas para seus personagens como Romeu e Julieta, digamos que têm vários "Johakyus".
 

O Roteirista Syd Field, simplifica e deixa de lado o entendimento filosófico. Para ele a história é formada por dois atos distintas separados por dois pontos, o Plot Point 1 e o Plot Point 2.
 

O Plot Point 1 é o ponto aonde tira o personagem da sua rotina, um evento que serve como gatilho para história. Ex: Seu personagem descobre uma espada mágica ou avista um meteoro a noite, enfrenta algum espírito, alguma coisa acontece para tirar o personagem digamos, do seu normal.
 

O Plot Point 2 é onde a história se afunila para um final, onde a história recebe sua  resolução. Ex: Digamos que depois de tantas coisas que aconteceram com nosso personagem e tendo um objetivo já em mente que foi pensado entre Plot 1 e Plot 2, ele passa por um treinamento, ou uma busca, ou batalha, algo que o direcione para o objetivo final onde a história vai acabar depois de muitas aventuras ou fatos vividos pelo nosso personagem.
 

Syd Field ainda vai além cortando o ato que fica entre o Plot Point 1 e Plot Point 2 chamando de Mind Point, onde esse por sua vez divide o ato do meio para definir melhor o que será feito em cada metade. Ainda inclui mais dois pontos nessas metades chamados de Pinch, o quais são eventos que servem para elevar o interesse pela história. Tantos pontos são necessários se sua história for grande, Syd Field é Roteirista de trabalhos para Holywood.
 

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Em japonês outros termos que funcionam como Plot Point 1, Plot Point 2 e MId Point.
 

Kikkake – Motivo.  É o Plot Point 1
Yama – Montanha.  É o Mid Point
Ochi – Queda. É o Plot Point 2
 

Formulação:
 

Início – Apresentação do personagem ou personagens, cenário e seu status dentro do cenário.
Plot 1 – Cena que introduz a história e serve para que o protagnista entre na trama, saindo de uma situação anterior.
Desenvolvimento – As primeiras reações de seu personagem nessa nova situação e os primeiros passos dentro da trama.
Mid Point – Como uma montanha-russa, essa é a primeira montanha, antes da grande descida e das voltas. Um ponto alto da trama que intensifica as cenas. O clímax.
Reviravolta – Momento para criarmos dúvidas nos leitores, para que no final não seja previsível.
Plot 2 – Cena que fecha a trama, última cena dentro da situação introduzida em Plot 1.
Final – Ou resolução. É a resposta a toda a trama, colocando nosso personagem de volta a seu status original ou levando-o a um novo status.
 

Outro modelo usado no oriente principalmente em mangás e séries de TV é o Kishotenketsu. Ki siginifica acordar, Sho significa receber, Ten significa rolar e Ketsu significa amarrar.
 

Nesse modelo uma história se inicia, acorda, recebe algum volume, encaminha esse volume e amarra as pontas. A diferença de Kohakyu é que o Ten e o Sho de Kishotenketsu, podem se tornar quantidades ilimitadas.

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