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Editorial J-Hero: Um carta ao leitor sobre o preconceito no fandom dos otaku

Data: Sexta-Feira, 6 de Outubro de 2017 - 13:16h Autor: Redação J-Hero comentários

Cosplayer

Cosplay: Ram (Re:Zero kara Hajimaru Isekai Seikatsu) | Cospalyer: Kuromi

 

 

Carta aos Leitores

Sei que não é muito comum os leitores (e ouvintes) da Rádio J-Hero verem um editorial ser publicado em nosso site. Contudo isso se faz necessário quando procuramos nos manifestar e posicionar a respeito de um assunto quando lhe é pertinente. Nesta semana um episódio até então inofensivo chamou-nos a atenção ao ponto de levar nossa equipe a trazer esta carta a todos.

Nós publicamos no dia 04 de outubro de 2017 um link para uma matéria escrita para o site mundocosplayer.com.br que trata sobre a prática do cosplay por garotas mulçumanas. Até aí tudo normal. A matéria apresenta diversas meninas vestidas a caráter com burcas e demais elementos originados das personagens selecionadas para o cosplay. Sim, a caráter porque sendo elas mulçumanas a burca é um elemento cultural-religioso presente nas suas indumentárias, vestimentas etc.

O que realmente chamou a atenção foi a repercussão dessa postagem compartilhada em nossa fanpage. Muitos comentários nada saudáveis foram averiguados por nossa equipe. Como nunca optamos pelo recurso da moderação nós também não excluímos tais comentários (até porque acreditamos que todos são livres para se expressar), mas viemos oficialmente por aqui rebater algumas acusações injustas feitas e também – na medida do possível – esclarecer quaisquer argumentos obscuros que tenham sido feitos em nossa fanpage de uma forma que possamos então refletir melhor sobre a temática.

Pergunto-lhes se todos sabem o que é o cosplay. É óbvio que me responderão favoráveis em afirmação dizendo “que é a arte de se vestir da personagem que se gosta”. Bom, não está errado, mas está longe de ser uma definição completa. Cosplay – contração de Costume Play – é literalmente o ato de “brincar de fantasia”. Fazer cosplay é ir muito além de se vestir de uma personagem. É dar vida a uma personalidade e até mesmo objeto ou conceito de forma lúdica. No Carnaval brasileiro, quando as Escolas de Samba entram nas avenidas, muitos figurinos são apresentados e todos possuem uma mensagem, uma identidade. Tais figurinos podem sim ser encarados como cosplay, pois estão no grau mais bruto da coisa representando por meio de fantasia uma personagem, um objeto, um conceito, uma identidade. Assim como no site original da matéria se pergunta se mulçumanas podem fazer cosplay nós perguntamos: Sabendo disso, mulçumanas podem então fazer cosplay? A resposta será sim!

Por falar em mulçumanas a pergunta é: você sabe quem são os mulçumanos? Também chamado de islamita ou maometano, o mulçumano é o seguidor do Islã, religião monoteísta originada no Oriente Médio que tem como seu principal representante o profeta Maomé. Com sua doutrina e costumes baseados nos textos do Alcorão esse grupo religioso segue muitas tradições e práticas que para nós – sociedade ocidental de sua grande maioria cristã – já não são bem vistas tem um bom tempo. Uma delas sendo a forma de tratar as mulheres.

Não é – e nem será – papel da Rádio J-Hero (que promove as Culturas Pop Japonesa e Coreana) entrar no mérito do debate religioso. Não obstante, não é por causa disso também que vamos nos excluir do debate social que faz a roda do mundo girar. Percebemos em muitos comentários que, pelo menos para estes brasileiros, as jovens mulçumanas não podem fazer cosplay se mantiverem suas tradições, pois “fica ridículo”, ou são motivos de piadas já que é “melhor [elas] fazendo cosplay do que fazendo bombas”.

Duas coisas devem ficar bem claras aqui: [1] é que cosplay não foi, não é e nunca será o ato de representar fielmente a figura de uma personagem. Coslpay é uma atividade lúdica onde nos propomos a representar tal personagem num gesto de identificação ou homenagem num ato de prazer e também de aceitação e promoção de si perante um grupo social (no caso dos fandoms). Pode ser que hoje em dia seja encarado também como uma atividade profissional, mas isso não elimina o caráter primordial da prática que é ser um atividade-fã de expressão artístico-cultural. Logo isso legitima qualquer modificação ou adequação do cosplay ou vocês se incomodam também quando acontece o gender bender e um homem se veste de uma personagem feminina e vice-versa, ou quando costumizamos uma personagem originalmente masculina para perfis femininos e etc?

Ah, mas “Essas cosplayers devem ser muçulmanas sim, mas que moram em países não-muçulmanos, duvido que mulher muçulmana tenha liberdade de fazer isso”. Quem disse isso foi acertado em seu comentário – em partes –, pois não deixou de transparecer um certo teor de acusação do tipo “se não faz no próprio país não tem realmente valor”. Jovens, essas meninas sofrem com a opressão da figura da mulher numa sociedade de caráter patriarcal forte. É lógico que fazer isso em seus países de origem é um trabalho muito difícil e desafiador. Se elas não vivem mais no Oriente Médio é porque tiveram que fugir de situações adversas muito mais básicas do que a escolha de fazer um cosplay. Em muitos países árabes – onde o Islã impera – mulheres tem que se vestir se cobrindo por completo, não podem dirigir e etc. Também não se pode desconsiderar que essas meninas podem ser mulçumanas e não necessariamente ser árabes afinal o Islã é a segunda maior religião monoteísta em número de adeptos e tais pessoas estão espalhadas entre as mais diversas etnias e os mais diversos países sem obrigatoriamente serem descendentes de árabes.

Nosso papel é apoiar esse ato tão pacífico e cheio de significados que foi praticado por cada uma dessas cosplayers. Assim como nós – nerds e otaku – elas estão se mostrando livres da opressão de seus países para viver conforme seus gostos e prazeres. A manutenção da burca não pode ser encarada como um grilhão à vida sofrida e sim como a valorização dos valores proferidos pela sua religião. No geral a religião (seja qual for) não busca o mal do homem, mas sim que ele alcance sua paz de espírito. Se mesmo fugindo do sistema opressor do islamismo elas optam por manter as tradições de vestimentas (de uma forma bem adaptada diga-se de passagem) é porque elas são mais inteligentes do que aparentam. Elas ainda estão felizes com os valores corretos presente em sua religião. Só não são é a favor da violência e do descaso proferido por muitos como uma espécie de verdade absoluta. Cabe a nós não reforçar essas falsas verdades.

Brincadeiras de mau gosto e juízo de valor deveriam ser as últimas atitudes para nós otaku, afinal de contas somos uma tribo social estigmatizada midiaticamente que ainda hoje não foi completamente aceita. Você pode alegar que não é otaku e só assiste animê e ler mangá, e eu vou dizer que é uma escolha sua querer ser considerado otaku ou não, mas isso jamais impedirá que aos olhos de todos você seja considerado um. Qual é o problema em ser considerado otaku? É porque não quer ser alvo de bullying, críticas e tudo o mais? Se é assim porque então criticamos o ato belo dessas jovens garotas apenas porque elas professam uma religião ou mantem um tipo de tradição específica? Não sejamos hipócritas! Dentre todas as tribos sociais são os otaku aqueles mais aglutinadores. Jovens, crianças, adultos, japoneses, estrangeiros – independente de credo ou costume –, homens e mulheres – independente das escolhas de gênero e comportamento –, todos são livres e aceitos como otaku. A própria indústria do manganime atinge todas essas demandas (mesmo que nem sempre sendo da forma desejada).

Vamos ser mais racionais quanto ao julgar o próximo! Nosso lema pode até ser “Do seu jeito, do seu gosto!”, mas não pense que isso significa que um jeito e um gosto específico prevalece sobre o outro. Mais respeito! Essa é a mensagem da nossa equipe.

 

Saylon Kaguya

Editor-chefe de Redação e Redes Socais 

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